Terça-feira, 6 de Junho de 2006
Acerca do populismo

A palavra populismo ganhou irremediavelmente uma conotação negativa, populismo, com o sentido original de simpatia pelo povo, transformou-se em demagogia e hipocrisia.

De facto, o presente governo do nosso país não é populista, não tem simpatia pelo povo. Alçando a bandeira da governabilidade, Sócrates ataca sistematicamente as regalias de quem pode, dos funcionários públicos mais precisamente.

O autismo travestido de coragem surge potenciado na figura da ministra da educação. A questão não está na participação dos encarregados de educação na avaliação dos professores (também existem leituras demagógicas de artigos, não é pirata?), nem noutras propostas de alteração do estatuto de carreira docente. A questão é o discurso irresponsável e demagógico da ministra: os professores e os estabelecimentos de ensino são acusados de maneira leviana, havendo uma absolvição implícita dos sucessivos governos incapazes de construir uma verdadeira política educativa. No entanto, se o sr. Sócrates e a sra. Maria de Lurdes só visitam escolas-modelo, andam distantes das escolas reais.

Nem tudo tem a ver com cores políticas (sucessivas lavagens tornaram difícil distingui-las), e ocasionalmente o governo socrático poderia ser populista, pensar a sério no povo e esquecer o umbigo.



publicado por Zorro Danado às 13:41
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3 comentários:
De Pirata a 6 de Junho de 2006 às 15:09
O termo populismo tem de facto uma conotação negativa. Não pelo sentido original da palavra, que tão bem descreveste, mas pelos discursos fáceis e exagerados usados por vários agentes (de vários meios) com o objectivo de convencer, enganar ou divertir uma plateia, normalmente ansiosa e crente. Muitas vezes estes discursos são elaborados para divulgarem as notícias, os factos ou as ideias que as pessoas querem ouvir e não para espelhar o ponto de vista do orador. Queres exemplos: - o famoso discurso de Santana Lopes acerca da chegada da retoma económica; - discurso apaixonado de Luís Filipe Vieira acerca dos 300 mil sócios, da chantagem que fez com este tema; o anúncio que por esta altura o Benfica seria o maior clube do mundo, - os 150mil empregos que Sócrates anunciou durante a campanha. O governo de Santana/Portas era populista. Enganava diariamente as pessoas com discursos fáceis, com realidades que eram falsas, enfim... O discurso da ministra pode ser um pouco demagógico mas tens que admitir que algo tem de ser feito. Referiste também muito bem a inércia dos últimos governos no que diz respeito à educação. Podíamos acrescentar a segurança social, a administração pública... Daí a importância de muitas medidas corajosas (e impopulares) que este governo tem tomado.. Abraço


De Beterraba a 6 de Junho de 2006 às 17:11
Ó Pirata, qualquer dia não resta ninguém para nos apertar a mão:)


De Beterraba a 6 de Junho de 2006 às 16:15
2 pontos distintos: 1º - Concordo com muitas das medidas que o Governo de Sócrates tem tomado, apesar de apelidadas corporativamente pelos visados de “ataques às regalias dos funcionários públicos”. Curiosamente, é interessante constatarmos que a palavra regalia aparece definida, por exemplo no dicionário on-line www.priberam.pt, como: direito inerente à realeza; vantagem; privilégio. A definição do conceito por si só diz tudo. Neste sentido, gostava que me explicassem porque é que os funcionários públicos têm que ter um sistema de saúde privilegiado, uma progressão na carreira baseada nesse critério realmente objectivo que é a antiguidade, independentemente do mérito ou da competência ou outras coisas do género. Não vejo aqui qualquer tipo de ataque, apenas uma questão de justiça. 2º Quanto ao problema da educação, a minha opinião é diferente. Concordo em parte com o que ZD aqui refere. Como em qualquer outra circunstância, querer resolver o problema pela sua consequência só pode ter um resultado: o fracasso. Há uma responsabilidade política tremenda, cuja parte de leão cabe inegavelmente aos governos do PS e do PSD, na incapacidade de planeamento, formação e operacionalização dos vários graus de ensino ao longo das últimas décadas e cujo resultado é o que se nos apresenta hoje. Agora, meus caros professores, a estratégia da vitimização não vos fica bem. As FENPROF’s e as FNE’s, os Sindicatos dos professores da Zona Norte, da zona Centro e da zona Sul, minados por partidos políticas, cujo resultado é a duplicação de tachos para colegas vossos, sob o pretexto de resolverem os problemas do sector; as greves à Sexta-feira; a completa inexistência de um sentimento de classe profissional - faz-se greve no sul, no norte não, como se os problemas não afectassem o conjunto; privilegiam-se professores dos quadros em detrimento dos jovens professores, ou daqueles que mesmo não sendo jovens são contratados; fazem-se conscientemente turmas boas e turmas más, com destinatários conhecidos à partida… Tudo isto devia merecer da vossa parte, professores e não da palhaçada dos sindicatos que vos guiam, uma atitude bem mais pró-activa e não quase só reactiva. Queixavam-se de que saltavam de escola em escola todos os anos, agora queixam-se porque ficam 3 anos na mesma escola: e se fico longe de casa? E se fico numa escola que não gosto? E… E se fizessem, para cada um de vocês, uma escola do outro lado da rua onde moram?! Esse medo de serem avaliados, estes incómodos por virem agora perturbar o vosso sossego e os vossos privilégios, acabam por disfarçar perante a opinião pública medidas governamentais que no sector da educação são muitas vezes da mais pura demagogia. Deixem-me que vos transmita uma ideia que é na minha opinião importante: vocês estão fartos de olhar para os vossos umbigos, discutem os problemas no vosso círculo restrito chegando obviamente à conclusão de que têm razão. Os problemas verdadeiramente importantes do sector da educação agravam-se há décadas e os professores não podem sacudir a água do capote. Pena é que a tampa só salte quando vos mexem no bolso.


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