Domingo, 11 de Março de 2007
Mea culpa

Sem pompa nem circunstância, Beterraba começa por afirmar "a culpa não é concerteza do governo", acrescenta - "só falam (os professores) nos ataques à “classe” e não em medidas para melhorar o sistema educativo", condena a "resistência à mudança" e a "febre reaccionária" e conclui: senhores professores, "tirem lá a cabeça debaixo da areia senão ainda cai para dentro".

ZD concorda que começar com uma certeza confere vigor ao discurso, portanto reconheça-se o rumo que este governo deu à educação e a firmeza no leme. Um exemplo será a questão insignificante da TLEBS, onde o governo assobiou para o ar enquanto a discussão limitou-se às escolas, hesitando posteriormente quando vozes, sobretudo na comunicação social, se levantaram contra esta trapalhada.

Quanto às medidas para melhorar o sistema educativo (designação nada pomposa), os professores poderiam ser mais interventivos, no entanto, a profícua actuação do ministério da educação, convicto que os professores são parte do problema e não da solução, não lhes deixa grande espaço de manobra. Beterraba acredita que os tempos de mudança e reestruturação não se compadecem com os caprichos dos professores e estes devem olhar em seu redor e ver que o mar está agitado em todos os lados.

No entanto, a teoria da avestruz faz sentido, ou seja, faz sentido o professor estar mais atento ao que o rodeia e observar os sinais de excelência que chegam de outras áreas da nossa sociedade, faz sentido o professor ter a consciência que não é o centro da engrenagem, faz sentido o professor ser mais exigente com os outros profissionais que o rodeiam, faz sentido o professor saber que a culpa do estado do país não deve morrer solteira e a culpa não é concerteza do governo.

 



publicado por Zorro Danado às 15:54
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1 comentário:
De Beterraba a 12 de Março de 2007 às 11:39
ZD está amargo. Escrever depois de um Sábado à noite e antes de uma Segunda-feira de manhã, terá, juntamente com o passar dos anos, as suas influências.
No seu discurso ZD não deixa de preceder GOVERNO do pronome ESTE, o que revela 2 coisas: a) os problemas dos professores têm 2 anos; b) o problema do professor ZD é também um problema político.
Continuando o exercício psicanalítico (abrindo de forma consciente e provocatória o flanco à reacção), o último parágrafo que escreve seria de grande lucidez e acima da mediania da “classe” se estivesse desprovido do tom irónico que o acompanha.
Para terminar, e para que o jogo de palavras saia do mundo do abstracto, lanço o desafio para que sejam aqui apresentadas as más medidas que têm sido tomadas no seio da educação, e, não sendo condição essencial embora bastante enriquecedora, que soluções alternativas preconizam.
PS: Trazer a questão da TLEBS (Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário) é um esforço inteligente para descentrar a discussão do PROFESSOR. O uso do acrónimo sem a explicação é que acaba por ser um tiro no pé, continua a falar para dentro.


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