Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008
Uma nódoa difícil

Só os professores ainda não perceberam que a classe há muito tinha batido no fundo e que, finalmente, alguns passos estão a ser dados no sentido da credibilização e da valorização da vossa profissão.

A dramática metáfora (tinha batido no fundo) para retratar a classe dos professores e a utilização do pretérito mais-que-perfeito (tinha batido) não são novidades no discurso do Beterraba.

E, no entanto, as escolas movem-se, há vida nelas para além das tiradas dos observadores externos, os professores não se demitiram das suas responsabilidades. Aliás, os hospitais e os tribunais (para não falar em São Bento e na Assembleia da República), no contexto actual da sociedade portuguesa, parecem problemas cuja resolução se afigura mais complexa a ZD (Será que as classes dos médicos e dos juízes também bateram no fundo?).

Duas palavras caracterizam a acção deste ministério da educação para Beterraba: credibilização e valorização.

Duas palavras caracterizam a acção deste ministério da educação para ZD: incompetência (os exames nacionais não tardam) e incapacidade (de mobilizar os profissionais da educação).

Os passos dados por este governo mexem com os interesses instalados entre os professores, tornam a sua vidinha [menos] descansada, e será este o cerne da política educativa do governo. A cegueira dos professores não lhes permite ver o que Beterraba caracteriza como uma oportunidade. Os professores deverão como cordeiros subservientes acolher acriticamente a boa nova do ministério e envergonhados agradecer a visão estratégica deste governo (apesar das constantes trapalhadas, atropelos e recuos) para a educação portuguesa.

Esta discussão também não é novidade, ainda não bateu no fundo, mas foi chão que já deu uvas. Infelizmente para a sociedade portuguesa, o professor permanecerá como referência numa sociedade à deriva (sintomático o recuo do ministério relativo à impossiblidade dos professores serem presidentes do Conselho de Escola) e este governo desaparecerá como uma nódoa difícil (perdoe-se a comparação queirosiana).



publicado por Zorro Danado às 13:31
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3 comentários:
De Anónimo a 22 de Fevereiro de 2008 às 11:49
Era bom que toda esta politiquice desaparecesse mesmo!!! Tanto trabalho, tanta burocracia, tanta... para esconder o real objectivo, não é premiar os melhores!!! Longe disso... é apenas para cortar nos gastos... dinheiro , tudo se resume a isso!!!
é um desabafo da monovitelina cansada de mais e mais reuniões que não nos levam a lado nenhum, o objectivo é mesmo esse... Saudações de Lourosa...


De Beterraba a 29 de Fevereiro de 2008 às 11:33
“Uma aula sem professor? Sem substituto? Mas isso é impensável!" A expressão de espanto provém de um técnico do Ministerio Della Publica Istruzione, o equivalente italiano do Ministério da Educação, quando lhe explicamos que, até há bem pouco tempo, quando um docente português faltava às aulas os alunos tinham um furo.
Como comprovou o DN, em países como a Espanha, Itália e Irlanda, deixar uma turma entregue a si própria quando um professor falta é uma ideia considerada, no mínimo, inconcebível.
Diário de Notícias

“Javier Murillo, coordenador-geral do Laboratório Latino-Americano de Avaliação da Qualidade da Educação da UNESCO, é especialista em Métodos de Investigação e Avaliação em Educação, tendo vindo a especializar-se em questões como a qualidade, eficácia e melhoria da escola e a avaliação de docentes e sistemas educativos. (...) considera que avaliação dos professores é um elemento imprescindível para melhorar a qualidade do ensino.

Que problemas é que a avaliação de professores pode levantar entre os profissionais do sector?
JM: O maior problema é uma rejeição frontal ao sistema de avaliação. Desta forma, a sua aplicação torna-se difícil, ou mesmo impossível, e as suas repercussões negativas.”
www.educare.pt

HAY Group – consultora, especialista na área de Recursos Humanos, trabalha em 47 países.
“Os professores têm de ser responsabilizados pelo sucesso do sistema de ensino”
A Hay Group não encontra, no diploma elaborado pelo ministério da educação, nenhum objecto estranho a um sistema de avaliação de desempenho.
Para que isso aconteça, é também imprescindível que os professores passem a ver-se como uma equipa global, com objectivos comuns e partilhados, e não como responsáveis únicos por aquilo que acontece nas suas aulas

Revista Visão, edição de 28/02/2008, pág. 96

Matt Johnson , The The
Lonely Planet (do álbum DUSK)

If you can't change the world change yourself
If you can't change the world change yourself
If you can't change the world change yourself
And if you can't change yourself ...
Then change the world

You´re name is TRUZ… AVESTRUZ


De Zorro Danado a 29 de Fevereiro de 2008 às 12:41
Como professor de Inglês, uma pequena correcção:
Your (não you´re) name is TERRABA...


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