Quarta-feira, 2 de Abril de 2008
Os advogados de Pinto da Costa

O apego clubístico - em Portugal enraizado na paixão do futebol - permite aureolar figuras sombrias. Ocorre num passado recente o nome de Vale e Azevedo, num passado mais distante o de Jorge Gonçalves, no passado, presente e, provavelmente, no futuro o de Jorge Nuno Pinto da Costa (poder-se-ia sair da esfera do encarnado, verde e azul e citar nomes como Valentim Loureiro e Pimenta Machado). Em determinado momento, qualquer um deles granjeou a simpatia de uma massa humana mais ou menos significativa, dada a sua posição nos desígnios de certo clube. Poderia mesmo o respectivo carácter suscitar leve desconfiança, porém o apego clubístico transformava-se em miopia (não se fale em cegueira) e garantia a continuidade de um poder dependente da caução dos adeptos.

Pinto da Costa, no entanto, deve ser destacado como primus inter pares. General supremo e incontestado do Futebol Clube do Porto nas últimas décadas, laureado pelos títulos conquistados a nível nacional e, sobretudo, internacional, cruzado das reivindicações de um Norte injustiçado, mestre da ironia saloia, Pinto da Costa soube construir um reinado capaz de desvanecer episódios turvos (Guímaros, irmãos Calheiros, guardas Abéis...).

Os últimos tempos têm sido menos propícios e, após o remoque aos cotovelos do Cardozo, Pinto da Costa não tem tido tempo para cultivar o sarcasmo, demasiado ocupado com as reuniões com os advogados.

A estratégia da defesa passa por reduzir tudo a ficção: Maria José Morgado não passa de um imaginário arcanjo vingador, Carolina Salgado improvável reencarnação de Brutus e respectivo punhal, Augusto Duarte ocasional visita dos aposentos do presidente do FCP e Pinto da Costa inocente vítima, atropelada por um esquema maquiavélico para colocar um ponto final no domínio desportivo do dragão, outro ser imaginário.

Pobre Pinto da Costa, pobre Futebol Clube do Porto, pobre Miguel Sousa Tavares.

 



publicado por Zorro Danado às 13:22
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